terça-feira, 29 de maio de 2012

COTAS

Posted: 28 May 2012 03:35 AM PDT
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em abril, que as cotas para estudantes negros agora são constitucionais, ou seja, obrigatórias por lei! A decisão vale para todas as instituições públicas que adotam ou pretendem adotar o critério racial em seus processos seletivos como forma de diminuir a desigualdade no acesso ao ensino superior.
Os ministros do Supremo entenderam que a cota é um instrumento legítimo para corrigir desigualdades e compensar a discriminação e a falta de oportunidades que os negros têm sofrido historicamente no Brasil.
Com representantes dos movimentos negros e de indígenas, a plateia aplaudiu ao fim do julgamento, quando o presidente da Corte, ministro Carlos Ayres Britto, declarou que o Brasil deve se orgulhar pela decisão tomada:
— Toda política de promoção racial que se dote de proporcionalidade e de razoabilidade deita raízes e repousa no regaço da Constituição brasileira. O princípio de unidade da Constituição chancela as políticas de promoção racial. A partir desta decisão, o Brasil tem mais um motivo para se olhar no espelho da história e não corar de vergonha.
Para o ministro Luiz Fux, a reserva de vagas é uma forma de “remediar desvantagens impostas por minorias em razões de preconceitos passados”. O ministro alertou para um “paradoxo do sistema”, segundo o qual “só chega na universidade pública quem estudou em escola privada”. Para ele, não há uma resposta plausível para essa injustiça.
— A opressão racial dos anos da sociedade escravocrata brasileira deixou cicatrizes que se refletem na diferenciação dos afrodescendentes. A injustiça do sistema é absolutamente intolerável — afirmou Fux.
Saiba como todos os 10 ministros votantes se posicionaram sobre as cotas:
LUIZ FUX: “Uma coisa é vedar a discriminação; outra coisa é implementar políticas que levem à integração social e étnica do afrodescendente diante dessas ações afirmativas, principalmente dessa integração social acadêmica. Viva a nação afrodescendente!”

ROSA WEBER: “A disparidade racial é flagrante na sociedade brasileira. A pobreza tem cor no Brasil: negra, mestiça, amarela… Quando o negro se tornar visível nas altas esferas da sociedade, política compensatória alguma será necessária”
CÁRMEN LÚCIA: ”As ações afirmativas não são as melhores opções, a melhor opção é uma sociedade com todo mundo livre para ser o que quiser. Isso é um processo, uma etapa, uma necessidade em uma sociedade onde isso não aconteceu naturalmente”
JOAQUIM BARBOSA: ”A História universal não registra nação que tenha se erguido de condição periférica a nação digna de respeito na política internacional mantendo no plano doméstico uma política de exclusão em relação a parcela expressiva da sua população”
CEZAR PELUSO: ”O que as pessoas são e fazem dependem das oportunidades que tiveram. (O) mérito é justo apenas em relação aos candidatos que tiveram a mesma oportunidade, não é possível usar o mesmo critério para quem no passado não teve as mesmas oportunidades”
GILMAR MENDES: “Em razão do modelo escravocrata de desenvolvimento, o acesso a universidade pública acaba dificultado, porque essa população é mais débil economicamente. Não se pode negar a importância de ações que levem a combater essa crônica desigualdade”
MARCO AURÉLIO MELLO: ”Falta a percepção de que não se pode falar em Constituição Federal sem levar em conta, acima de tudo, a igualdade. Precisamos saldar essa dívida, no tocante a alcançar-se a igualdade”
AYRES BRITTO: ”Quem não sofre preconceito pela cor da pele já leva uma imensa vantagem, já é beneficiário, não desfruta de uma situação desfavorecida imbricada a outros… Os brancos, em matéria de discriminação, nunca precisaram de Constituição…”

CELSO DE MELLO: ”Ações afirmativas são instrumentos compensatórios para concretizar o direito da pessoa de ter sua igualdade protegida contra práticas de discriminação étnico-racial. Uma sociedade que tolera práticas discriminatórias não pode qualificar-se como democrática”
RICARDO LEWANDOWSKI: ”O reduzido número de negros e pardos que exercem cargos de relevo resulta da discriminação histórica que as pessoas desses grupos têm sofrido. Os programas de ações afirmativas são uma forma de compensar a postura complacente do Estado”
Artigo da revista online RevistaAfro.com

terça-feira, 17 de abril de 2012

JESUS ERA NEGRO?

Assim começa a postagem da RevistaAfro sobre a origem daquEle que teria sido enviado por Deus para salvar a humanidade.

A figura de Jesus Cristo como um homem branco, de cabelos lisos compridos, traços finos e delicados, e olhos azuis, ficou marcada durante séculos no imaginário universal graças à sua representação em obras de arte, filmes, espetáculos, e afins. Porém, existe uma grande polêmica em torna da sua real aparência. A maioria insiste em confirmar sua beleza alva, mas, há indícios fortes que comprovam o oposto.
Alguns cientistas já criaram, inclusive, uma imagem que mostra como seria o rosto de Jesus, de acordo com os padrões geográficos do território em que ele vivia. A pespectiva passa bem longe da imagem que temos hoje, que segundo alguns, foi forjada nos padrões de beleza ocidentais.
A principal teoria é de que a maioria das figuras humanas já produzidas para retratar o “filho do homem” foram confeccionadas na Europa por artistas brancos. Dessa forma, a sua imagem teria seguido padrões de estética do período histórico em questão. Além disso, a própria Bíblia, em diversas citações, mostra que Jesus poderia muito bem ter sido um homem negro.
Antes de tudo: ele nasceu em Belém de Judá, região que, à época, pertencia a África! Sim, indivíduos brancos eram raros naquelas bandas. Até a construção do Canal de Suez, Israel fazia parte do continente africano, e esta visão perdurou até 1859, quando o território passou a integrar a Ásia.
Outro forte indício de que Jesus não era branco é que ele era da Tribo de Judá, uma das tribos africanas de Israel. Explica-se: os ancestrais masculinos de Jesus vêm da linha de Sem (miscigenados). No entanto, a sua genealogia foi misturada com a linha de Cam (negros) desde os tempos passados em cativeiro no Egito e na Babilônia.
O antepassado direto de Jesus através de Cam é narrado em Gênesis: Tamar, a mulher Cananéia (negra) fica grávida de Judá, e dá à luz aos gêmeos Zerá e Perez, formando a Tribo de Judá, antepassados do Rei Davi e de José e Maria, os pais terrenos de Jesus.
A farsa de sua cor clara
Outra prova: não foi por mero acaso que Deus enviou Maria e José ao Egito com o propósito de esconder o menino Jesus do Rei Herodes, como é citado no livro de Mateus, do Novo Testamento. Ele não poderia ser escondido no norte da África se fosse um menino branco. Não por proteção militar, já que nessa época, o Egito era uma província romana sob o controle romano, mas porque o Egito ainda era um país habitado por pessoas negras.
Assim, a família teria sido apenas mais que fugiu para o Egito com a finalidade de se misturar a outras famílias negras. Se Jesus fosse branco, loiro, e de olhos claros, teria sido no mínimo complicado de ele se miturar aos egípcios negros, certo?
E ainda citando a Bíblia, no livro Apocalipse ele é chamado de o “Cordeiro de Deus”, segundo a Escritura Sagrada, com seu cabelo lanoso, sendo comparado a lã de cordeiro, e os pés com a cor de bronze queimado, uma aparência semelhante a da pedra de jaspe e de sardônio, que são geralmente pedras amarronzadas.
As provas não mentem, mas, para muitos ainda há bastante controvérsia. As cores das pedras citadas em Apocalipse, jaspe e sardônio não são únicas e absolutas, são de diversas possibilidades. Portanto, se Jesus era negro ou não, provavelmente a humanidade nunca vai saber. Mas seus ensinamentos continuam: independetemente da cor, somos todos iguais.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

HÁ PRECONCEITO NO OSCAR ?

A mulher Negra no Cinema Americano

Na última cerimônia do Oscar, um disputa acirrada marcou a categoria de melhor atriz. Meryl Streep e sua irretocável interpretação de Margareth Tatcher em “A Dama de Ferro” competia com a emocionante performance da atriz negra Viola Davis no filme “Histórias Cruzadas”. Meryl levou a melhor. Amigas há anos, as duas trocaram elogios, no entanto, Viola levantou uma questão importante na indústria do cinema.
“Qual é a atriz negra equivalente a Meryl Streep ou a Julia Roberts e Nicole Kidman?” Esta foi a pergunta retórica da atriz dirigida em entrevista ao tabloide britânico The Sun. Viola afirma que há pouquíssimos papéis dedicados a mulheres negras no cinema americano, e que, em sua maioria, eles são sempre os mesmos.
- A única possibilidade que existe é interpretar uma matriarca autoritária e vulgar. Se propuser algo diferente disso, você simplesmente desaparece. Não há personagem para você. As negras só têm espaço para o mesmo perfil, sempre – protesta ela.
Por renegar qualquer estereótipo racial, Viola quase desistiu do papel em “Histórias Cruzadas”, filme em que interpreta uma babá oprimida pelos patrões brancos por questões raciais.
- Quando percebi a riqueza da personagem, eu não resisti -, contou.
A escravidão nos Estados Unidos foi abolida em 1863, durante a Guerra da Secessão. Mas quase um século depois, os negros do país ainda viviam sob um rígido sistema de segregação. Recebiam salários ínfimos, eram obrigados a sentar nos lugares do fundo no ônibus, e tinham banheiros e até bebedouros “exclusivos”, entre outras barbaridades. Nesse apartheid no racista estado do Mississipi, na cidade de Jackson, vivem no início dos anos 1960 as protagonistas de “Histórias Cruzadas”, no original “The Help”, dirigido por Tate Taylor.
Viola, que ganhou o prêmio do Sindicato dos Atores por sua participação no filme, afirma que o problema não se restringe somente à escassez de papéis. Os salários das atrizes negras, em sua maioria, são menores.
Não somente Viola, mas Thandie Newton, Whoopi Goldberg e Vanessa Williams também já andaram reclamando de salários baixos e de excessos de papéis estereotipados. A exceção é Halle Berry, primeira e única negra a levar o Oscar de melhor atriz para casa, e dona de salários um pouco maiores, porém, nada astronômicos como os de Meryl, Julia ou Nicole, citadas por Viola Davis.
- É um absurdo ver que, nos dias de hoje, ainda enfrentamos essas dificuldades! Espero que isso mude -, conclui Viola.
 Artigo do blog RevistaAfro